quinta-feira, 26 de abril de 2012

Morre, aos 66 anos, o sambista "bem-humorado" Dicró

 

Dicró vai à feijoada com participação do Marcelo D2, no Bar da Boa, no centro do Rio (26/2/11)

Dicró vai à feijoada com participação do Marcelo D2, no Bar da Boa, no centro do Rio (26/2/11)

Morreu, aos 66 anos, no final da noite de ontem, 25, em Magé, na Região Metropolitana do Rio, o sambista Carlos Roberto de Oliveira, o Dicró, que ganhou notoriedade com letras bem-humoradas e de duplo sentido.

Lutando contra os efeitos da diabetes, o cantor e compositor passou mal em casa, no bairro de Mauá, por volta das 22h, após retornar do hospital onde havia realizado uma sessão de hemodiálise. Segundo parentes, Dicró, antes de sofrer o enfarte, reclamou de dores na cabeça. Encaminhado para o Hospital Central de Magé, o sambista não resistiu e morreu.


Ele era um cara muito espirituoso, bacana de estar junto. É uma grande perda para o mundo do samba.

Dudu Nobre, sambista

 

O enterro de Carlos Roberto de Oliveira está marcado para as 17h de hoje no Cemitério Jardim da Saudade, na zona oeste do Rio. O velório deve iniciar nesta manhã no mesmo local.

Músicos, atores e humoristas comentaram a morte do sambista. "Ele era um cara muito espirituoso, bacana de estar junto. É uma grande perda para o mundo do samba", disse o sambista Dudu Nobre ao UOL. "Dicró, eterno sindico do piscinão de ramos", escreveu o rapper MV Bill em seu Twitter, complementando que gostaria que a notícia da morte do músico fosse somente um boato. Tom Cavalcanti lembrou a música "Bingo da Sogra", sucesso de Dicró. "Vou fazer um Bingo la na casa da Vovo.Vai com Deus meu amigo Dicro", publicou o humorista.

O rapper Emicida escreveu, também no Twitter, que ficou com os olhos cheios de lágrimas quando soube da morte de Dicró. "As duas gerações que vieram antes da minha, foram abençoados com a oportunidade única de ver surgir tantos artistas únicos, mágicos. Talvez a maior tristeza da minha geração, seja ver tantos desses ícones partirem. Não que não tenhamos bons artistas hoje. Mas um vazio, uma saudade, é sempre uma saudade. E Dicró é dos caras que vão deixar muita saudade. Que a terra lhe seja leve malandro", escreveu.

Famosos comentam pelo Twitter morte de Dicró

As lembranças que tenho do Dicró são as melhores. Acompanhei o Dicró durante um ano. Ele era um cara muito espirituoso, bacana de estar junto. É uma grande perda para o mundo do samba. Ele tinha um estilo cômico de fazer samba, levava tudo para o lado do humor. Gostava muito dele. Estou indo para São Paulo, então infelizmente não poderei ir ao enterro, mas meu coração vai estar lá com ele.
Dudu Nobre, sambista

Mas um vazio, uma saudade, é sempre uma saudade. E Dicró é dos caras que vão deixar muita saudade... Que a terra lhe seja leve malandro...
Emicida, rapper

Dicró eterno sindico do piscinão de ramos
MV Bill, rapper

Vou fazer um Bingo la na casa da Vovo.Vai com Deus meu amigo Dicro
Tom Cavalcanti, humorista

Gente, li aqui que Dicró foi pro andar de cima?! Descanse em Paz, guerreiro do samba!
Daniel Del Sarto, ator

Morre o mestre Dicró! Que Deus o tenha
Rodrigo Scarpa, o repórter Vesgo, do "Pânico"

Morreu um dos caras mais engraçados que eu já vi...Dicró...o malandro era uma lenda viva!
Fabio Rabin, humorista

Vida e obra de Dicró
Vascaíno, Dicró nasceu na cidade de Mesquita, também na Região Metropolitana do Rio, em 14 de fevereiro de 1946, e se especializou em sambas satíricos, cujas letras davam ênfase ao dia a dia do subúrbio e da Baixada Fluminense. O nome Dicró teria vindo das iniciais do seu nome, CRO, registrado nas letras de samba, e que, com a pronúncia e erros tipográficos, passou de "De CRO" para "Di CRO".

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Dicró morre aos 66 anos; veja fotos do sambista

Foto 1 de 5 - Os cantores de samba Dicró (à esq.), Moreira da Silva e Bezerra da Silva (à dir.) gravam música da campanha para o uso do cinto de segurança (4/7/95)

 

O sambista teve vários empregos, como pintor, vendedor de jornais e de pintinhos antes de começar a compor sambas com letras de humor escrachado na década de 70. Na década de 1990, formou parceria com os sambistas Moreira da Silva e Bezerra da Silva, encontro que resultou no álbum 'Os 3 malandros in concert'.
Frequentador da praia de Ramos, suas músicas retratam de forma satírica o cotidiano dos subúrbios, principalmente a Baixada Fluminense. É autor dos álbuns "Barra Pesada" (1978), "Funeral do Ricardão" (1984), "O Bingo da Sogra" (1984) e "Dicró no Piscinão" (2002).

Em 2010, o sambista participou do quadro "Verão Bacana", no Fantástico, em que atuou como uma espécie de "repórter por um dia" em eventos bacanas pelo Brasil. Dicró fez matéria com os ricaços de Santa Catarina, mostrou seus conhecimentos de moda na SPFW, passeou por Búzios e foi até a um cruzeiro na Bahia.

(Com informações da Agência Estado)

http://musica.uol.com.br/ultnot/2012/04/26/morre-aos-66-anos-o-sambista-bem-humorado-dicro.jhtm

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